A sequência de frentes frias que atravessa o Sul e o Sudeste neste inverno mudou a pergunta que o consumidor leva à loja de climatização. Em vez de só “quantos BTUs eu preciso para o verão”, o vendedor passou a ouvir “esse aqui também esquenta?”. A procura por ar-condicionado de ciclo reverso, o chamado quente e frio, cresceu em residências, comércio e indústria, e os números do setor ajudam a dimensionar o movimento. Segundo a Eletros, associação que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos, os aparelhos split de parede tiveram alta de 16% em unidades vendidas em 2025 nas duas regiões. No segmento corporativo pesado, que inclui hospitais, indústrias e grandes lojas, os modelos com tecnologia inverter avançaram 25%.
O que sustenta a tendência é uma conta de energia que o brasileiro fez na prática nos últimos invernos. Aquecedor elétrico de resistência, seja termoventilador ou modelo a óleo, transforma cada watt consumido em calor, e só. Um split inverter quente e frio trabalha como bomba de calor: usa o compressor para capturar calor do ar externo, mesmo quando ele está frio, e transferir esse calor para dentro do cômodo. Como o aparelho move calor em vez de gerá-lo, a relação entre energia gasta e calor entregue fica muito mais favorável. Em regime, o consumo fica entre 0,3 e 0,4 kW, cerca de um terço do que puxa um aquecedor elétrico convencional, o que representa economia de até 66% na mesma estação.
Existe um detalhe técnico que separa os modelos que realmente aquecem dos que só prometem. Para funcionar em madrugada de 5 °C na serra gaúcha ou no sul de Minas, a unidade externa precisa de válvula de expansão eletrônica, que ajusta o fluxo de refrigerante conforme a temperatura de fora, e de um ciclo de degelo automático, o defrost, que derrete o gelo acumulado na serpentina antes que ele bloqueie a troca de calor. Fabricantes como a Daikin vêm destacando justamente esses recursos na linha inverter, porque sem eles o aparelho perde eficiência rápido quando o termômetro cai. Um benefício menos comentado do modo aquecimento é o controle de umidade: o ar quente e seco reduz a condensação nas janelas e o mofo que aparece em quarto fechado no inverno.
Para quem está avaliando a troca, a lógica de escolha continua a mesma do verão, com dois cuidados extras. Primeiro, a capacidade em BTUs deve ser calculada para o cômodo e para a insolação, porque um aparelho subdimensionado no frio fica ligado o tempo todo e anula a vantagem do inverter. Segundo, a etiqueta do Inmetro traz classificação separada para refrigeração e aquecimento, e vale conferir as duas. No Brasil, a maioria dos splits quente e frio de 9.000 a 18.000 BTUs é vendida em 220V, então a instalação pode exigir ponto dedicado em casas com rede de 127V. A diferença de preço em relação ao modelo só frio costuma ser pequena diante do que se economiza deixando o aquecedor elétrico na caixa.
Splits quente e frio inverter à venda no Brasil:
