Um levantamento internacional publicado nesta semana joga luz sobre um comportamento que o varejo brasileiro de eletro já sente na prática: mesmo com o orçamento apertado, o consumidor não abandonou os investimentos na própria casa. O MarketOutlook 2026, estudo da International Housewares Association (IHA) feito com dados da Morning Consult, mostra 67% de intenção de compra em ferramentas e produtos de limpeza — a categoria mais forte da pesquisa. Logo atrás vêm produtos de cuidados com a saúde no lar (65%) e itens de grooming e beleza (60%).
O dado mais interessante para quem vai às compras não é o volume, e sim o motivo. Em todas as categorias medidas, a reposição aparece como principal razão de compra: as pessoas não estão descobrindo produtos novos, estão trocando o que quebrou ou parou de funcionar bem. Isso muda o cálculo na hora de escolher. Um aspirador vertical sem fio que perde sucção depois de um ano de uso, ou uma air fryer cuja resistência queima fora da garantia, deixa de ser barganha e vira despesa recorrente — e é exatamente esse ciclo que a pesquisa está capturando.
O estudo também mostra onde o consumidor topa gastar mais: outdoor living (66%), malas e acessórios de viagem (64%) e produtos domésticos em geral (64%) são as categorias em que a disposição a pagar acima da média é maior. E há um recado direto para as marcas de eletroportáteis: em eletroportáteis de cozinha, 75% dos consumidores citam a marca preferida como fator principal de decisão — proporção maior do que em qualquer outra categoria do levantamento. Já em armazenamento de alimentos, a intenção de compra fica em 40%, mesmo patamar de quem planeja comprar ferramentas de limpeza com panos descartáveis.
Para o mercado brasileiro, esses números conversam com um contexto próprio. Aqui, o eletroportátil de cozinha é justamente a porta de entrada da renovação da casa — é o item de R$ 200 a R$ 500 que cabe no cartão quando a geladeira de R$ 4 mil não cabe. A concentração da demanda em reposição e em marca conhecida ajuda a explicar por que fabricantes têm investido em linhas de entrada com nome forte, e por que os lançamentos recentes de air fryers e aspiradores verticais no país insistem em capacidade maior e peças laváveis: o consumidor que compra por reposição olha primeiro para quanto tempo o aparelho vai durar antes da próxima troca.
Vale a ressalva de que o MarketOutlook mede sobretudo o consumidor norte-americano — o Brasil tem renda, sazonalidade e voltagem (127V/220V) próprias, e por aqui o peso do parcelamento muda a decisão. Ainda assim, a leitura de fundo se repete nas duas praças: a casa continua sendo prioridade de gasto, a troca manda no calendário de compra e a confiança na marca vale mais do que uma ficha técnica cheia de recursos que ninguém usa. Um ponto extra a observar por aqui é a etiqueta do Inmetro/Procel: em aparelho de uso diário, a diferença de consumo entre classes de eficiência costuma se pagar antes do fim da vida útil.
Onde comprar os eletroportáteis mais procurados:
