A DJI, líder mundial em drones de consumo, decidiu que o segundo robô aspirador dela precisava se parecer com um drone por dentro. O Romo 2, anunciado em 3 de setembro e mostrado ao público europeu a partir do dia 4 na IFA 2026, em Berlim, usa o mesmo tipo de percepção que guia as aeronaves da marca para enxergar o chão em escala de milímetro, e move a mopa com um braço articulado que se ajusta pelo LiDAR em vez de simplesmente se estender para fora do corpo.
A geração anterior, lançada em 2025, foi a estreia da DJI no segmento e chamou atenção mais pelo desenho do que pelo desempenho. A versão nova mira o topo da categoria: são 36.000 Pa de sucção, número que só Ecovacs, Eufy e iRobot encostaram nesta mesma feira, e uma placa de pressão que desce sobre o tapete para criar uma vedação parcial entre o robô e as fibras, jogando toda a força do motor para dentro do carpete em vez de deixar escapar pelas laterais. Duas escovas laterais com cerdas em dois tufos varrem o canto e entregam a sujeira para a escova central sem espalhar.

O braço é a peça que dá nome à conversa. Ele gira num arco de 123 graus e, segundo a fabricante, alcança 7,8 cm mais para o lado e 4,5 cm mais para baixo de móveis suspensos do que o do Romo original. A diferença para os braços de outros robôs é que este é comandado pelo LiDAR: o sensor mede a distância até a parede ou a perna da mesa e o braço desliza a milímetros da superfície sem encostar, em vez de bater e recuar. O mesmo conjunto de sensores diferencia um resíduo seco de uma poça e decide sozinho se aquele trecho pede aspiração ou mopa, evita cabos e objetos de 2 mm de espessura e enxerga vidro e espelho, dois obstáculos que costumam confundir câmeras.
Para atravessar a casa, o Romo 2 ganhou rodas que se projetam para fora do chassi e erguem o corpo. A DJI fala em degraus simples de até 4 cm e duplos de até 8,5 cm, o suficiente para a soleira de um box ou para o desnível entre sala e varanda, que são justamente os pontos em que os robôs de um só pavimento costumam parar. É a mesma direção que Roborock e Dreame mostraram na IFA com robôs que sobem escada, só que aqui em escala doméstica, sem mecanismo de pernas.

A estação de base foi redesenhada para ficar até 365 dias sem manutenção. Quatro jatos de alta pressão lavam a mopa sobre uma placa com textura nanocristalina que resiste a manchas, e a água suja é sugada por uma boca de 16 mm, larga o bastante para não entupir com pelo de animal. O robô carrega a 55 W e enche a bateria em 2,5 horas, tempo curto para a categoria. O silêncio também virou argumento: são 32 materiais de isolamento acústico espalhados pelo corpo, redução de até 85% na energia sonora e 38 dBA no modo de mopa silenciosa, nível de uma biblioteca.
O detalhe que mais interessa a quem se preocupa com câmera dentro de casa é o Local Data Mode. Previsto para o quarto trimestre de 2026, ele corta a conexão do aplicativo DJI Home com a internet: o robô continua mapeando e limpando, mas nenhuma imagem sai da rede local, e câmera e microfone podem ser desligados no app. A DJI diz que o Romo 2 passou por certificações internacionais de segurança e por auditorias de terceiros, prática que a empresa mantém desde 2017 nos drones. O recurso chega depois de a segurança da primeira geração ter sido posta em xeque publicamente, e é uma resposta direta ao debate que começou nos Estados Unidos sobre robôs chineses com câmera.
Na Europa, o Romo P2, com base translúcida, custa 1.299 euros, e o Romo A2, com base branca, 1.199 euros. A DJI abriu uma promoção de lançamento entre 9 e 30 de setembro, com os dois abaixo de 1.060 euros, e as entregas pela loja oficial e por varejistas autorizados começam em outubro. Há ainda uma configuração Clean More Combo, com consumíveis extras. Nada disso vale para o Brasil: a DJI vende drones e câmeras por aqui em loja oficial, mas o Romo original nunca foi lançado no país, e nas lojas brasileiras só se encontram panos e filtros de reposição importados. Para quem quer um robô com braço de mopa e base autolimpante à venda em 127 V hoje, o caminho é olhar para o Dreame L40 Ultra, para a linha Q7 da Roborock ou para o Xiaomi S40 Pro, que traz braços extensíveis por bem menos.
Robôs com mopa e base autolimpante à venda no Brasil:
Oferta · Amazon Xiaomi Robot Vacuum S40 Pro — 15.000 Pa, mopa e braços extensíveis para cantos Ver oferta → O que o Romo 2 mostra é que a disputa dos robôs aspiradores deixou de ser sobre sucção. Ecovacs, Dreame, Roborock, iRobot e agora a DJI chegaram todos à casa dos 30.000 Pa, e a diferença passou a estar em três coisas: quanto o robô enxerga, aonde ele consegue chegar e quanto tempo o dono passa sem tocar na base. A DJI entra com vantagem no primeiro item, porque percepção espacial é o que ela faz há uma década, e com uma proposta de privacidade que ninguém mais no segmento formalizou como recurso de fábrica. Falta o preço cair, e faltam distribuidores no Brasil.
