A Electrolux anunciou um investimento de R$ 300 milhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação no Brasil, com foco em levar inteligência artificial para 26 novos produtos vendidos no país. O aporte será viabilizado por um financiamento aprovado pelo BNDES, dentro do programa BNDES Mais Inovação, e chega no ano em que a marca completa 100 anos de operação por aqui.
O ponto mais relevante do anúncio não é o valor, e sim onde o trabalho vai acontecer: todo o desenvolvimento fica no Centro de Inovação da Electrolux em Curitiba (PR), com apoio das fábricas de São José dos Pinhais, no mesmo estado, e de Manaus (AM). O plano se divide em cinco frentes — refrigeração, climatização, cuidados com o chão, tratamento de água e cocção —, o que na prática cobre geladeira, ar-condicionado, forno, air fryer, cafeteira, purificador de água, aspirador e robô aspirador.

As metas técnicas divulgadas dão uma ideia do que a marca chama de IA embarcada: algoritmos que controlam temperatura e umidade dentro do aparelho, redução de até 4 dB no nível de ruído e aumento de até 70% na vida útil dos alimentos armazenados. Nos refrigeradores, a companhia projeta até 40% de redução no consumo de energia elétrica. Vale registrar que todos esses números são projeções para produtos que ainda serão lançados, não medições de modelos que já estão na loja.
Para o consumidor brasileiro, o item que pesa mais é o consumo. A geladeira é o único eletrodoméstico que fica ligado 24 horas por dia, todos os dias, e costuma responder sozinha por algo entre 25% e 30% da conta de luz de uma casa comum. Uma queda de 40% no consumo de um refrigerador frost free de porte médio significa dezenas de reais por mês — e o efeito é maior ainda em ano de bandeira tarifária vermelha. É por esse motivo que a briga entre as marcas migrou do “quantos litros cabem” para o selo Procel e o compressor inverter.
Desenvolver isso no Paraná, e não em um centro de P&D europeu ou asiático, também muda o resultado. Tecnologia de refrigeração calibrada fora do país costuma chegar aqui sem levar em conta calor e umidade de verão brasileiro, rede elétrica instável, alternância entre 127V e 220V e um hábito de compra de mercado que enche a geladeira uma vez por semana. A Electrolux fala em transformar o Brasil em polo de inovação para a América Latina, com potencial de exportar tecnologia — a promessa concreta, do lado de cá, é linha branca ajustada para a casa brasileira.
Da linha atual da marca:
Quem for trocar de geladeira agora não precisa esperar: a linha que já está nas lojas traz o sistema AutoSense, que ajusta o funcionamento conforme o uso, e versões com compressor inverter — as tecnologias que servem de base para o que a marca promete desenvolver nos próximos anos. O anúncio de agora indica que a próxima geração aprofunda esse caminho, e não que os modelos atuais ficaram obsoletos.
