A IFA 2026, maior feira de eletrodomésticos e eletrônicos de consumo do mundo, já tem tema definido antes mesmo de abrir os portões: a inteligência artificial que ninguém mais anuncia como novidade — porque ela simplesmente passou a morar dentro dos aparelhos. O evento acontece de 4 a 8 de setembro, no Berlin ExpoCenter City, em Berlim, e a organização vem tratando a IA não como uma categoria de produto, mas como infraestrutura, presente de geladeiras a esteiras de ginástica.
“O futuro não está à nossa espera daqui a cinco ou dez anos. Ele já está em nossas casas, em nossos bolsos, em nossos carros, em nossas rotinas de saúde”, resume Leif Lindner, CEO da IFA Management. A leitura da feira é a mesma que o consumidor brasileiro já percebe nas lojas: os fabricantes pararam de vender “eletrodoméstico com IA” como argumento principal e passaram a embutir os recursos — reconhecimento de tecidos na lava e seca com inteligência artificial, mapeamento a laser nos robôs aspiradores, câmeras que identificam alimentos na geladeira — sem transformar a sigla em selo de marketing.
O tamanho do evento explica por que ele importa mesmo para quem está do outro lado do Atlântico. A edição anterior reuniu 1.900 expositores de 49 países e mais de 220 mil visitantes, com alcance de mídia global bilionário. É em Berlim que Samsung, LG, Bosch e Electrolux costumam mostrar as linhas de linha branca que chegam ao Brasil nos meses seguintes — as geladeiras com telas e assistentes que desembarcaram por aqui em 2026, por exemplo, passaram antes pelos pavilhões da IFA. Quem pretende trocar de eletro no fim do ano faz bem em acompanhar os anúncios de setembro: eles antecipam o que estará nas prateleiras brasileiras — e o que vai ficar mais barato quando a geração anterior sair de linha.
Além da casa conectada, a IFA 2026 reserva espaço crescente para saúde digital e bem-estar: ferramentas de saúde preventiva, equipamentos de fitness conectados e tecnologias de beleza aparecem entre as categorias com maior previsão de crescimento no ano. Outra novidade é estrutural — o ICC Berlin, edifício histórico de 1979 que ficou fechado por mais de uma década, reabre como parte da programação, ampliando a presença da feira pela cidade com atividades voltadas a públicos mais jovens e criadores de conteúdo.
Para o consumidor brasileiro, o recado prático da feira é um só: facilidade de uso virou critério de compra tão importante quanto ficha técnica. Aparelho inteligente que exige configuração complicada envelhece rápido; o que se adapta à rotina — economizando energia, água e tempo sem pedir nada em troca — é o que as marcas vão disputar para mostrar em Berlim.
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