A Roborock aproveitou a abertura da IFA 2026, em Berlim, para fazer o anúncio mais largo da sua história: além da renovação anual dos robôs aspiradores, a empresa apresentou um aspirador vertical com vapor de alta temperatura, um cortador de grama robótico e um robô que limpa piscina. A feira alemã vai de 4 a 8 de setembro, e a mensagem da marca é a de quem quer deixar de ser fabricante de robô de piso para virar fornecedora de limpeza da casa inteira.
No centro do anúncio estão dois robôs de piso com o mesmo motor de sucção, o HyperForce de 36.000 Pa. O Saros 20 Flow traz uma mopa de rolo autolavável — a SpiraFlow 2.0, que gira a 240 rpm com cerca de 15 N de pressão contra o chão — e um sistema de navegação retrátil, em que a torre do sensor some dentro do corpo quando o robô precisa passar por um vão baixo. O Qrevo Edge 3 Pro ataca a outra ponta do mesmo problema: tem perfil de 7,95 cm e é vendido como o robô que entra embaixo do sofá e da estante sem ficar preso. Os dois usam o chassi AdaptiLift 3.0, que ergue o corpo do aparelho para vencer degraus internos de até 8,8 cm, e lavam a mopa com água a 100 °C na base.

Vale colocar esse 36.000 Pa em perspectiva antes de ele virar argumento de compra. O pascal mede pressão de vácuo com a entrada de ar bloqueada — é um teste de bancada, não uma medida de quanta sujeira sai do tapete. O que decide o resultado prático é a combinação de fluxo de ar, largura e desenho do rolo, e a capacidade de a escova não enrolar cabelo na primeira semana. A corrida do número redondo serve para comparar gerações da mesma marca; entre marcas diferentes, ela mede pouco.
O aparelho mais interessante da leva talvez nem seja um robô. O F25 Ultra Steam Gen 2 é um aspirador vertical de piso seco e molhado com um modo turbo de vapor que a empresa diz ser 2,5 vezes mais potente que o da geração anterior, chegando a cerca de 180 °C em 30 segundos. Ele deita totalmente na horizontal, para passar embaixo de móveis sem que o usuário precise se abaixar, e ganhou um braço articulado chamado SensEdge que empurra a cabeça de limpeza para o canto quando detecta parede ou rodapé — a resposta ao problema mais antigo dessa categoria, que é o centímetro de sujeira que sempre sobra na quina. A versão de entrada da mesma família, o F25 Pro Turbo Combo, é um sistema cinco em um com módulo de sucção destacável e 25.000 Pa.

Fora de casa, a marca mostrou o RockNeo Q2 LiDAR, cortador de grama robótico com certificação IPX6 que cobre até 800 m², encara inclinação de até 45% e passa por corredores de 60 cm; e o RockAqua P1, robô de piscina com sucção de cerca de 6.800 galões por hora, cesto de 4 litros com filtragem dupla, autonomia de até 3,5 horas e câmera monocular para reconhecer sujeira. Nenhum dos dois tem preço ou data divulgados.
Onde comprar (linha Roborock disponível no Brasil):
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Para quem acompanha a categoria daqui, a distância entre a vitrine de Berlim e a prateleira brasileira segue grande. A Roborock só passou a vender oficialmente no Brasil em agosto de 2026, com três modelos de 8.000 a 10.000 Pa — ou seja, a linha nacional começa mais ou menos onde a linha global estava duas gerações atrás. Na Austrália, um dos poucos mercados com preço já divulgado, o Saros 20 Flow foi anunciado por 2.799 dólares australianos e o F25 Ultra Steam Gen 2 por 1.599, ambos com chegada em setembro.
Dois detalhes merecem atenção de quem pensa em importar em vez de esperar. O primeiro é elétrico: aparelho de linha europeia sai de fábrica em 230 V e 50 Hz, e a base desses robôs tem resistência para aquecer água — carga resistiva ligada em transformador é justamente o cenário em que a conta de energia e o risco sobem juntos. O segundo é o consumível: rolo, filtro, pano e escova lateral são peças de troca periódica, e sem representação oficial do modelo aqui, cada reposição vira uma compra internacional com frete e espera.
