A IFA 2026 em Berlim colocou a cozinha conectada no centro do palco, e a Siemens usou o espaço da BSH para mostrar dois produtos que atacam problemas bem diferentes: um forno que tenta acabar com a etapa de adivinhar tempo e temperatura, e uma lava e seca que enfrenta o vilão de consumo da lavanderia. A marca abriu o Intelligence Lab entre 4 e 8 de setembro com essa dupla no centro da exposição.
O forno da linha iQ700 identifica sozinho mais de cem pratos e ajusta o programa de acordo com o que foi colocado dentro dele. A novidade real, porém, é outra: pela primeira vez o aparelho permite salvar receitas do próprio usuário como favoritas, e passa a iniciar o programa correto quando aquela preparação voltar a ser feita. É uma inversão interessante da lógica de automação de forno, que até aqui obrigava a cozinha da casa a se adaptar ao catálogo de fábrica. Bolo de família e assado de domingo raramente cabem num preset genérico.

A lava e seca que seca a frio
O outro anúncio de peso é a WL64B2A40, lava e seca da mesma linha iQ700 que combina lavagem de 11 kg e secagem de 6 kg em dimensões padrão de gabinete. Ela seca por bomba de calor, e é isso que sustenta o número mais chamativo do anúncio: a temperatura de secagem cai até 40% em relação à de uma lava e seca por condensação convencional. Na lavagem, a Siemens declara 42 kWh a cada 100 ciclos, cerca de 20% abaixo do limite de 53 kWh exigido para a classe A do selo europeu. O conjunto recebe classificação A combinada e tem lançamento previsto na Europa para março de 2027.
Vale destrinchar por que isso é difícil. Encaixar um sistema de bomba de calor — que exige compressor, trocador e circuito de ar fechado — dentro de uma máquina que já precisa acomodar tambor, motor e conjunto hidráulico, tudo em um gabinete de 60 cm, é um exercício de espaço. Foi justamente por essa restrição que a categoria lava e seca ficou anos presa à secagem por resistência enquanto as secadoras separadas migravam para bomba de calor.
Para quem está no Brasil, esse é o ponto que merece acompanhamento. A lava e seca vendida por aqui seca aquecendo ar com resistência, e o ciclo de secagem sozinho costuma consumir mais que a lavagem inteira. O resultado é conhecido de qualquer dono do aparelho: a função vira recurso de emergência para semana de chuva, e não parte da rotina. Bomba de calor resolve boa parte disso e é o caminho que a categoria vai ter que percorrer se quiser deixar de ser um “extra” caro na conta de luz.

Geladeira de 402 litros e o resto da vitrine
A refrigeração ficou com um modelo de 402 litros, ganho de 15% de capacidade sobre o antecessor no mesmo tipo de vão, com o compartimento hyperFresh de 0 °C que a marca diz manter alimentos frescos por até 14 dias. Gaveta de temperatura próxima de zero é um recurso que compensa mais do que parece em casa que faz compra grande de carne e peixe uma vez por semana — mantém o alimento fora da faixa de congelamento sem entregar a textura ao freezer.
Completam a exposição a cafeteira superautomática EQ600 iAroma, novas coifas e a gaveta a vapor anunciada pela marca no início do ano. É um portfólio que evidencia a aposta central da Siemens: o eletrodoméstico deixa de ser um bloco de botões e passa a ser um aparelho que interpreta o que está acontecendo dentro dele.
Produtos relacionados no Brasil:
Oferta · Amazon Samsung Lava e Seca WD11M Digital Inverter WD11M4473PX Inox Look 11/7kg 220V Ver oferta →
Oferta · Amazon Philips Walita Cafeteira Espresso Superautomática Série 1200, 15 Bar, 220V Ver oferta →
Oferta · Amazon Geladeira Electrolux Frost Free Inverter 480L Efficient AutoSense 3 Portas Black Inox Look 220V Ver oferta →O que fica para o consumidor brasileiro
A Siemens não disputa a linha branca no varejo brasileiro, então nada disso deve aparecer numa loja daqui tão cedo. Ainda assim, o anúncio ajuda a ler o que vem pela frente. A ficha técnica que hoje é premium na Europa costuma virar a ficha técnica média da América Latina em alguns anos, e três apostas se repetiram na feira inteira: secagem por bomba de calor, eficiência declarada em kWh por ciclo em vez de rótulo de classe, e automação que reconhece o alimento em vez de só oferecer botões pré-programados.
Enquanto isso não desce de preço, o critério de compra por aqui continua o de sempre — e vale repetir porque muita gente erra nele: confira a voltagem antes de fechar a compra, compare o consumo declarado na etiqueta do Inmetro entre modelos do mesmo porte e desconfie de capacidade de secagem muito próxima da de lavagem. Na quase totalidade das lava e secas à venda no Brasil, a máquina seca bem menos roupa do que lava, e é aí que mora a decepção mais comum de quem compra a categoria.