A Smeg anunciou sua primeira air fryer, a AFC01, e o lançamento diz bastante sobre onde a categoria está indo. A marca italiana ficou conhecida no Brasil pelas geladeiras retrô e pelas cafeteiras e torradeiras da linha Anos 50, vendidas como objeto de decoração tanto quanto como eletroportátil. Trazer esse mesmo repertório visual para a fritadeira sem óleo — a categoria mais popular e também a mais visualmente esquecível da cozinha brasileira — é um movimento que faz sentido justamente porque a air fryer ocupa bancada o dia inteiro.
Do lado técnico, a AFC01 tem 7,3 litros de capacidade e 1.450 W, com faixa de temperatura de 40 °C a 200 °C. São sete programas automáticos para preparos comuns — frango, carnes, peixes, batatas — mais um modo manual. A abertura é pelo topo, e não pela gaveta frontal que virou padrão na maioria dos modelos, e há uma área translúcida com luz interna para acompanhar o preparo sem interromper o ciclo. O painel é sensível ao toque.

Duas escolhas de projeto merecem atenção de quem usa air fryer todo dia. A primeira é o reservatório de 60 ml: a AFC01 injeta vapor durante o preparo e oferece os modos Crispy e Juicy+Crispy, combinando ar quente circulante com umidade para deixar a superfície crocante sem ressecar o interior. É o mesmo princípio dos fornos combinados profissionais, encolhido para a bancada. A segunda é o cesto removível que pode ir na lava-louças — detalhe pequeno no papel, grande na rotina, porque a limpeza do cesto é a reclamação número um de quem tem o aparelho. O revestimento é cerâmico antiaderente sem PFAS, o grupo de compostos que está no centro do debate sobre panelas antiaderentes na Europa.

O preço anunciado é de € 229, cerca de R$ 1.364 na conversão direta, nas cores Storm Blue, branco, verde-esmeralda e preto. O lançamento é europeu e não há qualquer informação sobre disponibilidade no Brasil — o que, na prática, significa que por aqui a AFC01 ainda é um sinal de tendência, não uma opção de compra. Vale lembrar que os eletroportáteis da Smeg vendidos no país costumam chegar bem acima da conversão direta do euro, e que o aparelho precisaria sair em versão compatível com a nossa rede 127 V/220 V.
Para o consumidor brasileiro, a leitura útil é outra: os recursos que a Smeg está usando para justificar o preço premium — vapor, cesto lavável em máquina, revestimento sem PFAS, capacidade acima de 7 litros — já aparecem, separados, em modelos bem mais baratos por aqui. Air fryers de 7 litros de marcas como Philips Walita e Electrolux ficam na faixa de R$ 400 a R$ 620 e dão conta de uma família de quatro pessoas. E, antes de escolher pelo litro, confira a altura livre da sua bancada: modelos com tampa que abre para cima, como o da Smeg, precisam de espaço acima do aparelho que a gaveta frontal dispensa.
Air fryers de 7 litros à venda no Brasil:
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