Conhecida no Brasil quase exclusivamente pelas TVs, a TCL usou a IFA 2026, em Berlim, para apresentar o NXTHOME — o nome que a fabricante deu ao seu ecossistema de casa conectada. Sob esse guarda-chuva entram ar-condicionado, geladeira, lavadora e secadora, todos amarrados por três promessas: inteligência artificial que decide sozinha, consumo elétrico menor e um design pensado para o aparelho desaparecer dentro do ambiente em vez de se impor a ele.
A parte de design é a mais visível. A TCL mostrou geladeiras com dobradiça de eixo próprio, que permitem encaixar o produto rente à parede sem deixar a folga lateral de sempre — solução direcionada a apartamentos compactos e quitinetes, um recorte que descreve bem boa parte do mercado urbano brasileiro. Junto vieram parcerias de acabamento com a Bang & Olufsen, no áudio, e com a francesa Roche Bobois, nos móveis, além de torres de lava e seca e geladeiras side-by-side em rosa e azul. No meio dos conceitos apareceram ainda TVs de tela transparente da CSOT, a A400 Pro em cavalete, a portátil M400 que gira para a vertical, um cofre residencial disfarçado de móvel de cabeceira e o robô de companhia AMa, voltado a crianças.

No ar-condicionado, onde a TCL tem fábricas automatizadas e presença consolidada, o destaque ficou com a família FreshIN. O FreshIN Ultra usa IA para mapear a presença de pessoas e a temperatura do cômodo e ajustar sozinho a taxa de renovação de ar; o FreshIN 3.0 puxa o ar de fora, filtra e injeta ar novo no ambiente, e traz a tecnologia Gentle Breeze, com pás perfuradas que espalham o fluxo em vez de jogá-lo direto no rosto. Há também comando de voz offline em português, acionado no próprio aparelho, e a promessa de até 37% menos consumo elétrico graças à dupla compressor Inverter mais algoritmo. Para quem mora em prédio, o dado mais prático é o multi-split: até cinco evaporadoras — incluindo cassetes de 1 via, 4 vias ou 360º — ligadas a uma única condensadora, o que resolve a briga por espaço na área técnica. A linha de ar-condicionado Inverter da TCL já é vendida por aqui nas versões hi wall de 9.000 e 12.000 BTU/h.
Na linha branca, as geladeiras da TCL chegam com T-Fresh e Magnetic Fresh 360, tecnologias voltadas a manter o ar limpo e prolongar a validade dos alimentos. O recurso que realmente muda a rotina, porém, já está em modelos vendidos no Brasil: a Flexible Zone, um compartimento conversível cuja temperatura o usuário altera pelo painel digital, de -14 °C até o modo refrigerador — dá para transformar a gaveta em freezer extra na semana da feira ou em resfriador rápido de bebidas no fim de semana. Nas lavadoras, a VeloCare, também já disponível, aposta em compressor Inverter e painel simplificado, enquanto o modelo Super Drum com AI Wash usa sensores para identificar tipo de tecido e nível de sujeira, dosar água e parâmetros de lavagem e reaproveitar o calor interno para secar mais rápido.
O recado para o consumidor brasileiro é menos sobre o que foi mostrado em Berlim e mais sobre o que sobra dele nas lojas daqui. Conceitos como TV transparente e robô de companhia não têm preço nem data no país, mas Flexible Zone, multi-split e compressores Inverter já estão no catálogo nacional — e é aí que a promessa de economia precisa ser checada. Na hora da compra, valem as regras de sempre: conferir o selo Procel e o consumo em kWh/mês na etiqueta do Inmetro em vez do percentual divulgado pela marca, verificar se o modelo é 110 V, 220 V ou bivolt (boa parte dos splits só sai em 220 V) e dimensionar a capacidade — em litros ou em BTU/h — ao tamanho real da casa e da família.
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