A Xiaomi abriu a pré-venda na China do Mijia Smart Gas Stove 3 Max, um cooktop a gás de duas bocas cuja principal novidade não é a chama, e sim o que ele faz quando ninguém está olhando. O aparelho combina uma sonda de temperatura, um radar de presença e um algoritmo que a marca chama de inteligência artificial para identificar duas situações clássicas de acidente doméstico: a panela que secou no fogo e a boca que ficou acesa com a cozinha vazia. Nos dois casos, o fogão corta o fornecimento de gás por conta própria e manda um aviso ao celular pelo app Xiaomi Home.
A detecção de panela seca fica na boca direita. Ali existe uma sonda de liga de titânio que suporta até 500 °C e fica pressionada contra o fundo da panela, medindo a temperatura o tempo inteiro. A lógica é simples de entender: água e alimentos com líquido seguram a temperatura do fundo; quando o conteúdo evapora, a curva de aquecimento dispara de um jeito característico. É essa assinatura que o algoritmo procura para apagar a chama antes que a panela queime ou o antiaderente comece a se degradar. A mesma sonda também mostra a temperatura da panela em tempo real, o que ajuda em fritura e em receitas que pedem ponto exato.

A segunda proteção é a de ausência. Um radar na frente do fogão monitora uma faixa de cerca de 0,9 metro e percebe quando não há mais ninguém por perto. Passados 30 minutos sem presença, o aparelho emite um alerta sonoro; com 60 minutos, fecha o gás sozinho e notifica pelo app. Para quem costuma deixar um caldo ou um feijão em fogo baixo e esquece, é o tipo de rede de segurança que hoje só existe em quem lembra de colocar um timer no celular. Cada boca também tem temporizador independente, de 1 a 180 minutos, que desliga a chama sozinho ao terminar.
Do lado do desempenho, a Xiaomi fala em 5.200 W nos queimadores, com sistema de dupla entrada de oxigênio e 154 furos de chama para combustão mais estável. A eficiência térmica declarada é de 75%, o suficiente para atingir a faixa mais alta da nova classificação de eficiência energética da China, com ganho de 12% sobre a geração anterior. Um efeito colateral bem-vindo é a temperatura ao redor do aparelho, que a marca diz cair até 22 °C, deixando a bancada e o cozinheiro menos expostos ao calor. A mesa de vidro recebe uma camada nanométrica repelente a óleo e água, e a base ajustável cobre aberturas de 630 a 710 mm de largura por 330 a 400 mm de profundidade, para substituir cooktops antigos sem cortar a pedra.

O preço de pré-venda é de 2.704 yuans, algo em torno de R$ 2.000 na conversão direta, e a venda começa pela JD.com. Para o consumidor brasileiro, vale a leitura com os pés no chão: a Xiaomi não vende fogões nem cooktops por aqui, o aparelho é feito para a rede de gás natural chinesa e um eventual uso com botijão exigiria injetores próprios para GLP. O que a novidade sinaliza é a direção da categoria. A proteção contra chama apagada, obrigatória em fogões vendidos no Brasil há anos, foi o primeiro degrau; a próxima disputa entre as marcas tende a ser justamente o fogão que percebe descuido antes do acidente. Hoje, o mais perto disso no mercado nacional são os cooktops a gás com válvula de segurança em todas as bocas, acendimento automático e mesa de vidro temperado.
Cooktops com válvula de segurança vendidos no Brasil:
